sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Errar é humano, principalmente quando não se tem experiência. Ele errara. Ela também. Ela o via em todos os lugares, em todas as suas lembranças mais bonitas, em seus sonhos, no melhor de sua vida e no fim. Ele pensava no porquê daquilo tudo. Nenhum deles sabia as respostas. Ele se aborrecia pois ela não demonstrava mais que estava triste. Ela se acostumara com a dor e voltou a se comportar quase como antes. Ela nunca o odiara. Ele não a entendera depois do término. Ele não a procurou e ela não o chamou. Ela até tinha vontade, ele: às vezes. Ela gastava seu tempo todo pensando nele. Ele tomava banho pensando nela. Ele beijou outras garotas. Ela beijou um outro cara. Eles estranharam os beijos e sentiram saudades. Ele pensou que não valia a pena pensar nela. Ela pensou que não valia a pena pensar nele. Mas os pensamentos não obedeciam suas ordens...
Acabaram levando suas rotinas em harmonia. As lembranças se dissiparam e o tempo atuou, como já era de se esperar.
Algumas pessoas, simplesmente, não nasceram para enfrentar problemas. Minha mãe me deu o nome da avó paterna dela, Sophia. O significado desse nome é conhecimento, saber; mas não acredito que interfira tanto em minha personalidade, até porque eu não sou extremamente inteligente. Faço Direito e trabalho na própria universidade. Moro com meus pais, apesar de ter consciência de que minhas relações familiares sempre serão um caos. Não tenho irmãos, cachorros ou papagaios.Me sinto solitária no meio da multidão, eu sinto frio...
Sempre me imaginei calada e submissa ao meu companheiro, nunca de fato fui. Sempre me imaginei feliz e completa, mas foram apenas vontades. Eu nunca me apaixonei de verdade, tive três namorados nesses meus vinte e um anos de vida. Nunca me interessei por homens bonitos, apesar de ser dona de uma beleza obvia. Me interesso pelo enigmático e sempre saio machucada. Tenho o péssimo habito do cigarro, vício horroroso que eu mais amo. Gosto e me esbaldo em sapatos de salto.
Tive uma briga terrível com meu melhor amigo. Melhor amigo este que nunca participou efetivamente de minha vida, acho que, por isso perdi o rumo. Foram anos da minha adolescência imaginando nossos futuros, foram anos de minha vida gastos tentando fazer dele um amigo. Um dia eu escutei, não sei onde, que o maior erro do amor é quando uma parte dele se faz o inteiro. Acho que eu banquei por anos essa parte tola.
Ele me fazia rir. E sua imagem, personalidade e jeito sempre estavam presentes em meus namoros. Sempre escolhia alguém que me lembrava esse amigo. Amigo imaginário. Amigo imaginado. "C'est la vie", é o que dizem os franceses sobre esse tipo de coisa. Eleger dentre mil pessoas a escolhida para adaptar em nossas mentes.
O resultado disso? Eu ainda não sei. Estou de olhos vendados, com medo de enxergar o que tem lá fora.
Ela não era muito diferente dos outros, tinha uma boa aparência, um sorriso encantador, uma pessoa normal em uma lanchonete, que ficava dentro do prédio onde fazia aulas de música.
As pessoas à sua volta conversam e viviam suas vidas. Uma garota à sua direita bebia água no bebedouro há um tempão e as alunas do Ballet a olhavam com olhares irritados, já que não poderiam beber água no intervalo, caso a outra continuasse a sua bebedeira.
Um casal, de aproximadamente 40 anos, conversavam passivamente. Dois homens discutiam sobre planos de aula de arte moderna. Algumas pessoas no jardim.Outras nas salas, treinando suas atividades. Um garoto de ombros pesados tocava Chopin no piano. Uma bailarina colocava sua sapatilha de ponta. O casal, que já foi mencionado anteriormente, começou um papo engraçado e a mulher debruçou seus braços sobre a mesa para tentar esconder e abafar sua gargalhada. As arvores existiam, e os pássaros aproveitavam essa existência. Um homem chegou na lanchonete, pediu um refrigerante e saiu tagarelando sozinho.
Ela estava ali, inserida nessa rotina, convivendo com a rotina dos outros. Sentia-se completa, talvez, por estar completamente só. Talvez, por não pertencer àquelas vidas. Ouvia o som da flauta tocando longe, se entregou a melodia e sorriu. Gostava da vida como ela a vivia.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ele se sentia bem, mas tudo estava diferente. Não sentia falta dela, às vezes, o que sentia era que algumas coisas o faziam pensar no que passaram juntos, mas isso era raro. As pessoas com quem convivia eram as mesmas de antes de conhecê-la, os livros, as músicas, as roupas, os lugares. Tudo. Na verdade, ela fora inserida na sua realidade e ele não abrira seu mundo para ela. Foi melhor assim. Pelo menos era essa a frase que ele remoía, nos raros momentos em que pensava nela.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ela fechou os olhos e seus pensamentos tomaram formas. Eram escuros, arredondados, tinham até cheiro! Eram o passado. Já tinha feito péssimas escolhas, mas estava vivenciando seu inferno particular. As formas se apertavam, e as pessoas ao redor não entendiam o porque dela estar de olhos cerrados no meio de um parque tão lindo. Era uma tarde normal, mas bonita. As flores estavam normais e deixavam seu aroma solto pelo ar, a temperatura era amena e no lago havia peixes. Mas isso não importava. Sentada ela não podia perceber nada que não estivesse relacionado com seus problemas. Seu telefone celular tocou, saíra do estado de transe... mas, sinceramente, preferiria não ter saído dele...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ela saiu do banho com a toalha estampada enrolada no corpo, seus cabelos faziam escorrer gotas por suas costas e todo o chão foi ficando molhado. Andou, do jeito em que estava, até a varanda e olhou a lua. Seria muito agradável ter o luar cheio, mas tudo era minguante. Voltou para o banheiro, colocou uma blusa branca velha e resolveu beber. Martini seco. Cigarros. A luz da rua atravessava os cômodos escuros, sentou-se na cadeira de balanço que herdara da avó. Temia que a luz a iluminasse também. Temia ser iluminada até pela luz da manhã. Mas, quando isso aconteceu, ela nem reparou, as doses de martini e o estresse tinham lhe vencido e os raios de sol não incomodavam seu sono.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O meu amor atual é sempre tão maior que todos
...mesmo que o atual não seja sempre o mesmo...
Dos meus amores, o que sinto, é o que me faz pirar
- Amores acabados só servem para se enterrar... -